Só 10% das empresas criam lucro econômico, diz estudo da McKinsey.

Ao  longo  de  duas  décadas,  cerca  de  2,5  mil  empresas  de  capital  aberto  e  com relatórios  transparentes  foram  analisados em  nível  global  pela  consultoria McKinsey, para  saber  como  elas  geram  valor.  No  Brasil,  a  mesma  analise  com mais  35o  companhias  indicou  que  75% delas  ficaram  no  ponto  de  equilíbrio,  15% destruirão  valor  e  apenas  10%  tem realmente  gerado  valor,  criando  lucro economico.

“Por  um  lado,  isso  é  assustador,  mas  por  outro,  é  motivador”,  diz  Reinaldo Fiorini,  que  comanda  a  McKinsey  no  Brasil  desde  outubro  do  ano  passado.   O estudo  se  concentrou  nos  resultados  de  empresas  publicados  entre  1995  e 2016,  e  concluído  em  meados  de  2018.  Agora,  a  McKinsey  conversa  com  seus clientes  para  ver  o  que  eles  precisam  fazer  para  se  enquadrar  no  grupo  das 10%  mais  bem-sucedidas.  Em dez  anos,  só  11%  das  companhias  estudadas passaram  do  ponto  de  equilíbrio  economico –  “break  even”,  no  jargão  de  finanças –  para  criação  de  valor.  Embora  os  resultados  sejam  relativos  ao Brasil,  Fiorini  diz  que  mundialmente  os  números  são  bem  parecidos.

A  estrategia  para  alcançar  essa  meta,  por  enquanto  superada  por  um pequeno  índices  de  empresas,  esta  amparada  inicialmente  em  três  alavancas, diz  Fiorini:  a  institucional,  que  mostra  quem  é  a  empresa;  a  de  tendencias, que  indica  onde  a  empresa  esta;  e  a  que  define  o  que  a  empresa  faz,  com  uma pesquisa  mais  profunda  sobre  suas  possibilidades  de  expansão.

Nesse  Ultimo  caso,  a  consultoria  leva  o  cliente  a  refletir  sobre  fusões  e aquisições,  mas  não  de  grande  porte,  e  sim  diversas  e  significativas  ao  longo do  tempo,  empregando  de  2o%  a  3o%  do  seu  capital.  O  cliente  tem  que pensar  também  em  alocação  de  capital  –  como  faz  orçamento  para  o  ano seguinte  –  e  de  pessoas,  onde  coloca  os  melhores  talentos.

Nos  EUA,  7o%  dos  executivos  entrevistados  disseram  que  valorizam  as  pessoas,  e  não  o  capital;  na  China,  54%  dão  valor  aos  talentos;  e  no  Brasil, apenas  35%  das  empresas  dizem  que  prefeririam  resolver  o  seu  problema  de talentos  em  detrimento  do  acesso  a  melhores  condições  financeiras.  Estudos da  McKinsey  mostram  que  companhias  com  um  sistema  de  talentos  eficaz tem  8o%  mais  probabilidade  de  apresentar  resultados  melhores  que  seus concorrentes.

“As  [empresas]  vencedoras  são  mais  agressivas  em  despesas  de  capital  para decidir  investimentos”,  afirma  Fiorini. Elas  investem  1,7  vez  mais  do  que  as que  tem  menor  performance.”  0  executivo  recomenda  que  as  empresas acompanhem  “muito  de  perto”  a  produtividade  do  seu  negócio  para  garantir que  tenham  receita  para  elevar  os  investimentos.

No bloco das 15% que estão destruindo valor, algumas empresas tem um lucro  tão pequeno  que  não  pagam  nem  o  capital  empregado.

Em  2015  e  2016,  a  McKinsey  manteve  crescimento  acima  de  um  digito  no Brasil,  apesar  da  recessão  econômica,  diz  o  executivo,  sem  revelar  valores. Pela  ultima  informação  disponível,  o  faturamento  global  da  consultoria ultrapassou  US$  10  bilhões  em  2017.  “Os  clientes  querem  ser  mais competitivos,  inovar,  usar  os  talentos  para  capturar  as  oportunidades  que houver”,  diz  o  executivo.  Para  2019,  com  a  estabilidade  econômica,  os clientes  da  McKinsey  continuam  a  crer  que  tem  de  investir  não  só  no  curto, mas  também  no  longo  prazo.

Com  3o  mil  membros  em  nível  global  –  cerca  de  17  mil  deles  são  consultores -,  a  McKinsey  presta  serviços  apenas  de  consultoria,  sem  incluir  auditoria,  o que,  segundo  Fiorini,  permite  a  empresa  pensar  de  modo  independente.  Com 2,1  mil  sócios  no  mundo  e  mais  de  5o  no  Brasil,  a  McKinsey  diz  atender  90 das  100  maiores  empresas  globais  e  que  7o%  dos  clientes  estão  ha  dez  anos ou  mais  em  carteira.

Fiorini  conhece  bem  a  McKinsey,  onde  foi  admitido  como  consultor  júnior aos  23  anos,  direto  da  escola  de  engenharia  da  Universidade  de  são  Paulo.  Ao longo  de  20  anos  trabalhou  para  a  consultoria  na  Alemanha,  na  Inglaterra, nos  Estados  Unidos,  na  Africa  do  Sul  e  na  Nigeria.  Em  2017,  foi  chamado  de volta  ao  Brasil  para  liderar  uma  área  na  America  Latina.  No  fim  de  2018,  foi nomeado  “manager  partner”  do  Brasil,  cargo  equivalente  ao  de  presidente, no  lugar  do  sócio  sênior  Vicente  Assis.

A  rotatividade  no  cargo  é  uma  pratica  a  cada  cinco  ou  seis  anos.  Quem  está no  comando  continua  atendendo  os  seus  clientes  da  mesma  forma,  diz Fiorini.  A  liderança  é  uma  responsabilidade  adicional.

Fonte: https://www.valor.com.br/empresas/6194899/so-10-das-empresas-criam-lucro-economico-diz-estudo-da-mckinsey

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