Para ser planejador financeiro é preciso ter organização, disciplina e saber ouvir histórias

Além das instituições financeiras, o planejador financeiro pode atuar de maneira independente, seja montando a própria empresa, seja associando-se a negócios já criados. Independentemente da escolha, as habilidades e competências passam por ter organização, disciplina, curiosidade e, principalmente, gostar de ouvir histórias. “Planejamento financeiro não é uma consulta médica, em que a pessoa pega receita, vai até a farmácia, compra o remédio e acabou”, enfatiza Jan Karsten, presidente da Planejar e CEO da gestora de fortunas GPS.
O administrador André Novaes, fundador e CEO da Life Finanças Pessoais, concorda. Segundo ele, o trabalho começa com um plano, uma fotografia que vai indicar alguns caminhos. “Já o planejamento é o filme. As coisas podem mudar por completo ao longo dos anos”, diz.Criada em 2007 em Campinas (SP), a Life começou com Novaes atendendo 20 famílias. Hoje, a empresa reúne 42 planejadores financeiros espalhados por cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Vitória, Brasília, Salvador e Fortaleza.
Para fazer parte do grupo, o primeiro pré-requisito é o curso de empreendedorismo para planejadores financeiros, oferecido pela Life em duas turmas por ano. “A cada 20 pessoas que fazem o curso, selecionamos quatro ou cinco”, afirma. A etapa seguinte é uma série de entrevistas com líderes da empresa. Se for aprovado, o planejador passa por um treinamento de um ano e, no segundo mês, começa a atuar. Com cerca de 3.500 famílias atendidas atualmente, os planejadores cobram de R$ 500 a R$ 5.000 por mês – entre 55% e 70% do valor fica com o profissional, percentual que varia conforme o “tempo de casa” e a quantia paga pelo cliente.
O engenheiro elétrico Leanderson Reis também enxergou no serviço de planejamento financeiro uma oportunidade para empreender. Estudioso do comportamento humano desde a adolescência, começou a ajudar informalmente as pessoas a lidar com dinheiro. O grupo de amigos investidores originou a GFAI, empresa de planejamento financeiro fundada por ele em abril de 2013. Sozinho, Reis diz ter alcançado perto de 150 clientes até o fim de 2014. No ano seguinte, os primeiros planejadores financeiros começaram a se juntar à GFAI – hoje a equipe tem 63 profissionais associados. Os valores cobrados pelo serviço variam de R$ 4 mil a R$ 10 mil por ano.  A GFAI já atendeu mais de 3 mil famílias e hoje possui mais de mil ativas.

Ainda em 2016, foi lançada a Academia GFAI, que em dois anos formou 240 pessoas. “É uma metodologia para a pessoa sair e conseguir montar o negócio em planejamento financeiro”, observa. Segundo ele, uma das competências mais importantes é desenvolver a mentalidade de empreendedor. Na prática, significa saber que não terá mais renda fixa e precisará de um tempo de dedicação maior. “Como não há faculdade de planejamento financeiro, vale conversar com pessoas mais experientes.”
Para o administrador Pedro Guimarães, CEO da empresa de planejamento financeiro e gestão de patrimônio Fiduc, a formação mais importante é gostar de pessoas. “É a capacidade de engajar o cliente e entender os problemas pessoais”, enfatiza. Guimarães se inspirou no modelo da gestora inglesa St. James’s Place para montar a Fiduc. Em operação desde março de 2018, a fintech possui 150 planejadores associados e espera chegar a 400 até o fim de 2019. Ao se tornar sócio, o profissional fica responsável por sua carteira de clientes e a gestão dos investimentos é de responsabilidade da Fiduc, registrada na CVM. “Cobramos 1,5% ao ano sobre o dinheiro aplicado. Desse percentual, pagamos 0,5% para o planejador financeiro”, explica. A empresa não exige exclusividade do profissional.
Segundo especialistas, a relação de confiança estabelecida com os clientes é outro atributo da profissão. “O planejador financeiro será um pouco o confidente, o psicólogo, o conselheiro. Muitas vezes, o cliente revelará preocupações, desejos, dificuldades, propósitos e até segredos”, destaca a professora de finanças Betty Grobman, sócia da escola BSG Duo Prata. Ela orienta, ainda, que o profissional se mantenha atualizado sobre finanças, tributação e regulação, principalmente quanto a aspectos sucessórios e societários.

Fonte: https://www.valor.com.br/carreira/6045991/para-ser-planejador-financeiro-e-preciso-ter-organizacao-disciplina-e-saber-ouvir-historias

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